quinta-feira, 15 de outubro de 2009

História da Otávia, mãe do Arthur.

Arthur apareceu em minha vida em uma época que a ultima coisa que eu queria era me apegar a um animal, pois havia acabado de perder meu cavalo de salto. Ele estava perto da lixeira do meu prédio, raquítico, faminto e anti-social. Sua mãe era uma gata da rua que foi atropelada. A principio só chegava perto da comida que colocávamos depois que saímos do local, mas com o tempo, acabou ficando mais à vontade conosco.

A comida caseira foi substituída por ração três vezes ao dia, dei a ele cuidados veterinários, uma coleira com plaquinha de identificação, vacinas e muito carinho,amor e atenção. Em pouco tempo ele conquistou todos do prédio e eu continuava a cuidar dele mesmo ele ainda morando no jardim. Até hoje, nos encontros em elevadores, poucos são os vizinhos que não perguntam por ele. Ele sempre foi um gato muito carinhoso e brincalhão e até fez amizade com o Fire, o poodle do 8º andar. Era muito engraçado vê-los brincando embolados juntos.

Pouco tempo depois de ser castrado, Arthur foi atropelado. O encontrei sem movimento entre arbustos, chorando de dor. Se não fosse a ação rápida da Dra.Alberluce ( sua veterinária até hoje), ele teria ficado paralitico nas patas traseiras. Foi um longo e doloroso mês de recuperação. Ele ficava deitado no jardim interno e só se alimentava de leite de soja e ração úmida. Até hoje ele tem uma certa sensibilidade no local, mas isso nunca tirou sua alegria. Por vezes o encontrava em cima do carro dos vizinhos espiando os passarinhos, ou tomando sol preguiçosamente no pátio, ou até mesmo conversando silenciosamente com um bebê ainda em um carrinho, guiado pela mãe nos primeiros raios de manhã. Todos na rua o conheciam e até houve pessoas que tentaram levá-lo para casa, apaixonados pela sua beleza e temperamento, mas os porteiros sempre foram ótimos guardiões, dizendo que apesar de morar no jardim, ele possuía uma família.

Próximo à seu aniversário de um ano, uma pessoa começou a apedrejá-lo pela rua. Os porteiros, novamente me ajudando, me alertaram e eu avisei que iria fazer algo a respeito, que iria chamar a policia e processá-lo por maus tratos. A pessoa passou ao meu lado e ameaçou matar o Arthur. Foi uma das poucas vezes na vida que senti tanta raiva. Era inadmissível alguém querer machucar aquele pequeno ser que só nos trazia alegria. Depois de horas de gritos e ameaças trocadas com o agressor, minha mãe finalmente cedeu e permitiu que o levasse para nossa casa. Infelizmente, por causa do trauma de ser perseguido ele não mais é amigável com estranhos, mas continua maravilhoso conosco, nunca destruiu moveis, soube usar a caixinha de areia imediatamente e nunca tentou mexer em comida, coisa que assombra a todos, devido ao tempo em que viveu solto e sem regras.

Ele recepciona cada um de nós com um miado amistoso e sempre procura a nossa companhia. Dá atenção a todos, apesar de sempre deixá-los de lado quando estou em casa, coisa que os deixa meio enciumados. Ele consegue arrancar nossas risadas mesmo nos piores dias. Cada uma de suas brincadeiras, olhares meigos e esfregões abrandam nosso coração. Arthur despertar o melhor em nós. Ele irá fazer três anos em novembro e deste que o adotei, me tornei protetora oficialmente e já tive o privilegio de ajudar vários animais a terem um pouco da felicidade.

Mais do que um caso de caridade, mais do que um animal de estimação, Arthur é membro importante e amado de nossa família. É um guerreiro, como diz seu nome. Nosso pequeno guerreiro de coração nobre.

2 comentários:

*EVEREST* disse...

Otávia, sou fã do Arthur! Ele é um gatão, adoro ver o book fotografico dele... é de revista! Rsrsss...
Lendo sua historia pude entao ter a certeza de que ele nao é o que é simplesmente assim... Ele tem seu Amor incondicional!!!
Abraços.

Bel disse...

adorei a historinha do Arthur...principalmente qdo lembra das brincadeiras com o fire,que msm depois que ganhou um lar e, demoram
se encontrar, é uma festa total...
parabéns otavia por esse cuidar e,
amar o arthur.bjus